Terça-feira, 25 de Abril de 2006

Coimbra


“Ò Coimbra do Mondego

E dos amores que eu lá tive

Quem te não viu, anda cego,

Quem te não amar, não vive”

 

Dá-se um primeiro passo. Entra-se num mundo fascinante e assustadoramente sedutor. Deixamo-nos embriagar por um misto de sensações, cores, vozes e pessoas. Primeiramente a medo, timidamente, depois deixando cair os receios e os anseios.

 

Entre conversas intrincadas ou terrivelmente simples, constroem-se afectos e vivências, começa a edificar-se um sentir místico, inexplicável.       

 

Coimbra não passa, vai ficando. Coimbra não farta, apaixona cada vez mais. E como acontece em tudo o que nos fascina e vicia, não se dá conta que as horas, os dias e os anos se sucedem… Sucedem-se os momentos, as surpresas, as tristezas, as alegrias, a solidão entre as pessoas, a companhia na solidão. Chora-se num ombro, ri-se com algum olhar, fala-se de nada e de tudo, inebriamo-nos porque foi inevitável, corremos atrás de alguém, fecham-nos uma porta e abrem-nos outra. Morremos e renascemos.   

 

Coimbra não pára. Não morre. Coimbra pode acontecer numa esplanada na Primavera, num beco da baixinha, na alta coimbrã, na sala de um núcleo de estudantes, entre a montanha de fotocópias e de marcadores coloridos, na parede cheia de fotografias de um cortejo, de um jantar, … E perdura. Naquela noite em que o cheiro de orvalho nos lembra aquela rua, no dia em que uma voz doce nos recorda alguém, no nascer do sol que presenciamos… Na sonoridade doce e melancólica de um fado de Coimbra que fala de um amor ausente, de saudades, de uma cidade que nos entra pela vida e nela deixa marca indelével.  

 

Coimbra são pessoas, sítios, conversas, sorrisos, lágrimas, sensações, novas formas de ser e de estar, divergências, multidões, cores diferentes, cores iguais, medos novos, novas certezas e incertezas, guitarras que gemem e vozes que tentam dizer… São aprendizagens, dúvidas, mágoas, sons, artes e poesias, palavras soltas, fantasias…

 

Perdoem a nostalgia e a quase saudade de Coimbra. Em Coimbra os últimos passos doem, as pernas ficam pesadas e não obedecem, os olhos perdem o controlo e o mundo fica envolto numa cortina líquida. As caminhadas ficam mais curtas, os espaços e os caminhos aflitivamente familiares. Os anónimos tornam-se uma família atípica, ligada por laços invisíveis e inenarráveis. O “até sempre” faz adivinhar uma noção de temporalidade poucas vezes sentida. Os olhares substituem-se por vendas, os sons passam a recordações… Os meus pedaços ficam espalhados pelas ruas desta cidade, pelas pessoas, pelos papéis, …

  

 

Não é saudade do passado mas nostalgia do presente, porque Coimbra não passa, vai ficando….  

 

sinto-me:
posted by mrafiki às 02:17
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1 comentário:
De Asa a 26 de Abril de 2006 às 15:23
Como te compreendo... Mais palavras para quê? Está tudo dito na beleza das palavras e das coisas que escreves...

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